Guia Completo: Como Importar e Legalizar um Camião Europeu em Portugal

Guia Completo: Como Importar e Legalizar um Camião Europeu em Portugal

Importar um camião de outro país europeu é hoje uma das formas mais inteligentes de renovar ou expandir uma frota. Há mais escolha, especificações mais completas e, nos pesados de mercadorias, não há ISV(Imposto Sobre Veículos) a pagar. Neste guia explicamos como o camião chega a Portugal, como se legaliza passo a passo e quanto custa, com uma lista de despachantes por região para o acompanhar.


Porque vale a pena importar um veículo pesado?

Antes de entrarmos no processo, vale a pena perceber porque é que tantas empresas portuguesas escolhem comprar camiões em países como a Bélgica, a Alemanha, os Países Baixos ou França:

  • Sem ISV a pagar: ao contrário dos automóveis ligeiros, os pesados de mercadorias, as cabeças tratoras e os semi-reboques estão fora do âmbito do ISV. A passagem pela Alfândega é uma formalidade, sem imposto a liquidar.
  • IVA sem custo para a empresa: quando uma empresa portuguesa com NIF válido no VIES compra a uma empresa de outro Estado-Membro, a fatura é emitida sem IVA e o imposto é autoliquidado em Portugal. Estando o camião afeto à atividade, esse IVA é dedutível.
  • Mais escolha e melhores especificações: o mercado europeu tem um volume enorme de tratores e camiões Euro 6, com histórico de manutenção e equipamento completo. Um Euro 6 consome menos e paga menos portagem em vários países, como a Alemanha, onde a portagem para pesados depende da norma de emissões e da classe de CO₂.
  • Pronto para o transporte internacional: muitos camiões europeus recentes já vêm com o tacógrafo inteligente de 2.ª geração, obrigatório nos pesados matriculados pela primeira vez desde 21 de agosto de 2023 e em todo o transporte internacional desde 18 de agosto de 2025.

Como é que o camião chega a Portugal?

A forma mais prática de trazer um camião do Norte da Europa é por mar, em navio RoRo (roll-on/roll-off), até ao porto de Leixões, em Matosinhos. O veículo entra e sai do navio pelos próprios meios, sem gruas nem contentores.

Quer saber quanto custa trazer um dos nossos camiões até ao porto de Leixões? Fale com a nossa equipa e receba um orçamento.

Transporte marítimo

  • A ligação: a CLdN opera duas ligações RoRo semanais, em ambos os sentidos, entre Roterdão, Zeebrugge e Leixões. A viagem Zeebrugge–Leixões demora cerca de três dias.
  • O custo: o transporte de uma cabeça tratora da Bélgica até Leixões custa tipicamente entre 1.000 € e 1.500 €.
  • A vantagem: o camião chega sem quilómetros adicionais, sem desgaste e sem motorista a fazer 2.000 km de estrada. Leixões fica à porta do Grande Porto e da rede de autoestradas do Norte e Centro.

A sede da TheTruckCompany fica em Hooglede, na Bélgica, a menos de uma hora do porto de Zeebrugge, o que torna esta rota especialmente simples para quem compra connosco.

Há também outras opções:

  • Por estrada, em camião porta-máquinas: útil para veículos que não circulam ou para entregas porta-a-porta.
  • A rodar, com matrícula de exportação: o camião vem conduzido até Portugal com uma matrícula temporária emitida no país de origem.

Guarde o documento de transporte. Seja o conhecimento de embarque do navio, seja a guia CMR do transporte rodoviário, é este documento que comprova a data e a forma de entrada do camião em Portugal. A Alfândega pede-o juntamente com os restantes documentos.

Do porto à inspeção, em porta-máquinas. Durante o processo de legalização, e enquanto não tiver matrícula portuguesa, o camião não pode circular nas estradas portuguesas. A deslocação do terminal até ao centro de inspeção faz-se por isso em camião porta-máquinas. Marque a inspeção antes de o navio chegar, e o camião segue diretamente do porto para o centro. O resto do processo é documental e trata-se com o camião parado.


O passo a passo da legalização de camiões

O processo é claro e segue sempre a mesma ordem. Tudo começa com os documentos que acompanham o camião: a fatura, o certificado de matrícula do país de origem e o COC (Certificado de Conformidade Europeu).

Com o COC, o IMT identifica rapidamente a homologação do veículo e o processo fica mais simples e mais barato. Se o camião não tiver COC, junta-se a homologação do país de origem, e o processo continua na mesma. Com a documentação certa, um pesado importado fica normalmente legalizado em poucas semanas.

Exemplo de um COC

1. Inspeção para atribuição de matrícula (Categoria B)

O camião faz uma inspeção num Centro de Inspeções de Categoria B. É uma inspeção mais completa do que a periódica: confirma as características técnicas, as emissões e a segurança do veículo face aos documentos. Na aprovação, é emitido o Certificado de Inspeção Modelo 112, válido por 90 dias úteis.

Lembre-se: até ter matrícula portuguesa, o camião não pode circular pelos próprios meios. A deslocação até ao centro de inspeção faz-se em porta-máquinas, e o camião só volta a rodar na estrada depois de receber as chapas e o seguro.

2. Regularização na Alfândega (DAV)

A DAV (Declaração Aduaneira de Veículo) é submetida online no Portal das Finanças, normalmente através de um despachante. Como os pesados de mercadorias e os reboques estão fora do ISV, não há imposto a pagar: a DAV serve para registar a entrada do camião e é a Alfândega que indica o número de matrícula que lhe será atribuído. Recomendamos tratar deste passo logo que o camião chega, para ganhar tempo.

3. Atribuição da matrícula no IMT (Modelo 9)

Com o comprovativo da Alfândega e o Modelo 112 na mão, o pedido de matrícula é entregue no IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes) com o formulário Modelo 9. Junta-se o certificado de matrícula estrangeiro e o documento de identificação da empresa. A taxa é de 45 € quando o camião corresponde a uma homologação nacional.

4. Chapas de matrícula e tacógrafo

Com a matrícula atribuída, as chapas fazem-se em qualquer loja especializada, normalmente no próprio dia. Com as chapas colocadas e o seguro contratado, o camião passa a circular pelos próprios meios. Nos veículos com tacógrafo, há um último passo técnico: uma oficina autorizada de tacógrafos atualiza o equipamento com a nova matrícula portuguesa.

5. Registo de propriedade e DUA

Por fim, regista-se a propriedade a favor da empresa, numa Conservatória do Registo Automóvel ou online no Automóvel Online, no prazo de 60 dias após a matrícula. É emitido o Documento Único Automóvel (DUA) e o camião está pronto a trabalhar.


O que muda consoante o tipo de veículo

Os cinco passos são os mesmos para qualquer pesado. O que muda é aquilo em que a inspeção se concentra e os documentos extra que convém ter à mão.

Cabeça tratora (trator rodoviário)

  • Documentos: fatura, certificado de matrícula original, COC e documento de transporte (CMR ou conhecimento de embarque).
  • Inspeção: o foco está nas emissões (norma Euro), no sistema de travagem, na quinta roda, onde engata o semi-reboque, e na presença e selagem do tacógrafo.
  • Depois da matrícula: a oficina de tacógrafos atualiza o equipamento com a matrícula portuguesa.

Camião rígido (pesado de mercadorias com caixa)

  • Documentos: os mesmos da cabeça tratora. Se a carroçaria (por exemplo, uma caixa frigorífica) não estiver descrita no COC do chassis, peça também o certificado do fabricante da carroçaria.
  • Inspeção: além do motor, dos travões e do tacógrafo, confirma-se que o conjunto chassis e caixa corresponde aos documentos, incluindo pesos e dimensões.
  • Frio: para transporte de perecíveis, o certificado ATP trata-se num processo próprio, em paralelo com a legalização.

Semi-reboque ou reboque pesado

Sem motor, o processo é o mais simples dos três.

  • Documentos: fatura, certificado de matrícula original, COC do semi-reboque e documento de transporte.
  • Inspeção: sem emissões nem tacógrafo. Verifica-se a travagem (EBS/ABS), a iluminação, a suspensão e o pino de engate (kingpin).
  • Alfândega: também passa pela DAV e também está fora do ISV.
  • Matrícula própria: o semi-reboque recebe a sua própria matrícula portuguesa, com o formato específico dos reboques, independente do trator que o puxa.

Quanto custa legalizar um camião importado?

Para uma cabeça tratora comprada na Bélgica, com COC e homologação nacional, o custo total de trazer e legalizar o camião ronda 1.400 € a 1.900 €, com o transporte incluído e sem contar com a atualização do tacógrafo. Como não há ISV, a maior parcela é o próprio transporte.

DespesaValor indicativo (2026)Notas
Transporte Bélgica → Leixões (RoRo)1.000 – 1.500 €Cabeça tratora
ISV0 €Pesados de mercadorias e reboques estão fora do ISV
Inspeção para atribuição de matrícula≈ 94 €IVA incluído; alguns centros praticam valores até ≈ 131 €
Taxa IMT (matrícula)45 €165 € se o camião não tiver homologação nacional
Despachante (DAV)a partir de ≈ 150 €Peça orçamento para o serviço completo
Registo de propriedade (DUA)≈ 55 €Registo inicial
Chapas de matrícula≈ 26 €Par de chapas
Atualização do tacógrafosob orçamentoOficina autorizada de tacógrafos
IVAneutroAutoliquidado e dedutível, se o camião estiver afeto à atividade

Depois de matriculado, o camião paga IUC anual, que depende do peso bruto, do número de eixos, do tipo de suspensão e de o transporte ser por conta própria ou de outrem. O simulador do Portal das Finanças dá o valor exato.


Documentação essencial a reunir

Prepare uma pasta com estes documentos antes de o camião chegar. É o melhor atalho para um processo rápido junto da Alfândega e do IMT.

  • Fatura de compra ou contrato de compra e venda
  • Certificado de matrícula original do país de origem (ou cópia autenticada)
  • Certificado de Conformidade (COC) ou, na falta dele, a homologação do país de origem
  • Documento de transporte: conhecimento de embarque (RoRo) ou guia CMR
  • Certificado de Inspeção Modelo 112 (inspeção Categoria B)
  • Comprovativo da DAV emitido pela Alfândega
  • Formulário Modelo 9 do IMT preenchido
  • Documento de identificação da empresa (certidão permanente ou equivalente)

Prazos a ter em conta

Os prazos são poucos e folgados. Esta tabela resume-os:

EtapaPrazoEntidade
Certificado de Inspeção Modelo 112Válido por 90 dias úteisCentro de inspeções / IMT
DAV de um pesado de mercadorias ou reboqueSem prazo legal, por estar fora do ISV; recomendamos tratar logo à chegadaAutoridade Tributária e Aduaneira
Registo de propriedade (DUA)60 dias após a atribuição da matrículaConservatória do Registo Automóvel
Atualização do tacógrafoDepois da nova matrícula, antes de o camião trabalharOficina autorizada de tacógrafos

Despachantes e agências de legalização por região

Um despachante ou uma agência de documentação trata da DAV, do IMT e do registo por si, e muitos trabalham à distância para todo o país. Reunimos alguns nomes por região para facilitar o primeiro contacto:

RegiãoEmpresaLocalidadeContacto
NorteRaquelmarPerafita (Matosinhos)229 966 311
CentroImporDOCCoimbra239 131 587
Norte,Centro,SulAutodoc PortugalTodo o país218 807 040
SulAgência de Documentação Automobilística Paulo SantosFaro289 812 537

Lista indicativa, sem ligação comercial à TheTruckCompany. Ao pedir orçamento, confirme a experiência com pesados de mercadorias.


Conclusão

Importar um camião para Portugal é um processo simples e previsível: sem ISV, com o IVA neutro para a empresa e com custos de legalização de poucas centenas de euros. Com o transporte RoRo até Leixões e um bom despachante, o seu novo camião pode estar a trabalhar em poucas semanas.

Na TheTruckCompany, com sede na Bélgica e no mercado desde 1974, temos um stock permanente de cabeças tratoras, camiões e semi-reboques usados, e organizamos a entrega até Portugal. Cada veículo segue com a fatura e os documentos de matrícula e, sempre que disponível, com o COC.

Explore os nossos veículos pesados usados em stock ou fale com a nossa equipa para o ajudar a escolher o adequado para si.

Nota: os procedimentos, taxas e prazos administrativos podem ser alterados. Antes de iniciar um processo, confirme os requisitos em vigor junto do IMT, da Autoridade Tributária e Aduaneira e do IRN.